terça-feira, 17 de abril de 2018

O síndrome de impostor é tão real

Passei quatro anos num projeto de investigação sobre a União Europeia, estou literalmente a duas semanas (figas, muitas figas!) de concluir um doutoramento em ciência política (com a tal investigação sobre a UE), trabalho como investigadora numa organização que acabou de lançar um relatório sobre o potencial impacto do Brexit nas mulheres aqui no UK mas a minha reação quando recebo um convite para falar sobre estas coisas numa conferência é "hãã, que sei eu sobre isto?! Enganaram-se de certeza."

A sério, gostava de ter a confiança para me exprimir nos tópicos da minha especialidade que os mansplainers têm em se exprimir sobre tópicos que não conhecem.





S.

segunda-feira, 5 de março de 2018

My mind is more caguinchas than your mind

O problema numa corrida não é aguentar o esforço físico; é lutar contra a mente - e ganhar.

Isto parece uma frase motivacional pirosona, sem originalidade nenhuma ainda por cima, mas deixem-me partilhar o que se passou comigo ontem.

Como já cheguei a dizer aqui, eu sou uma pessoa muito avessa ao desconforto físico. Sou dona de uma mente muito dramática que panica rapidamente quando se descobre fora do seu normal. Mas sonho muito. Com números e paces, tempos de corrida a bater. Já conquistei a distância rainha, e como não gosto de trail, só me consigo superar agora pela velocidade. Invejo records de outros atletas, quero aquelas horas e minutos para mim, quero que seja aquele fácil para mim também. Tenho sonhos de longo prazo, que vão durar anos a conseguir, mas quero-os. E então planeio e treino e tento recomeçar o daily grind que é o único caminho para obter essa velocidade, pelo meio das múltiplas mudanças de cidade, casa, trabalho que têm sido os últimos anos (mas, figas, no more!).

Estes sonhos envolvem muito desconforto físico - oh, se envolvem! Não é o no pain, no gain, que nada disto é suposto doer, e é muito mau sinal que doa. Mas sofrimento tem que haver. Porque grande parte do treino para meias-maratonas e maratonas é habituar a mente a ter o corpo desconfortável durante períodos longos de tempo. E isto para mim já devia ter sido mais do que claro há muito tempo, uma vez que já passei por um ciclo de treino para maratona e o que me quebrou - mas o que me salvou no dia da prova - foram aquelas manhãs todas de domingo no verão de 2015 a palmilhar estrada durante 3 horas e tal, sozinha e em silêncio. Mas só ontem se me fez luz.

Porque ontem foi a mente a minha pior inimiga. E os assaltos que os pensamentos fizeram na minha capacidade de continuar a pôr um pé à frente do outro fizeram da The Big Half, a minha primeira corrida nas ruas de Londres, a minha corrida mais sofrida até hoje.

Já não sou novata nenhuma na distância e sei perfeitamente como o meu corpo reage a ela, os pontos críticos e onde vai ser mais difícil continuar (ali dos 12 aos 16 km, quando já passou metade mas ainda faltam tantos km para o fim). Mas os pensamentos intrusos continuam tão fortes como sempre. É exatamente como se estivesse alguém a falar-me ao ouvido: "Desiste". Não é um grito, mas durante algum tempo é o pensamento que domina.

"Pára". (Ressoa em toda a cabeça)

"Isto não é a tua vida".

"É tão fácil, olha, é só encostares-te à beira do passeio".

"Olha um voluntário da prova, diz-lhe que não aguentas mais. A sério, é tão fácil, ninguém te vai recriminar, dizes que não conseguias respirar bem. O que é verdade, estás constipada. Olha esse nariz a pingar. De certeza que os pulmões estão obstruídos. Dizes que foi por precaução, que foi pela tua saúde. Tens a de maio, essa é que é a verdadeira, para a que estamos a treinar."

"Pelo menos pára de correr e caminha, não faz mal nenhum caminhar numa prova. Depois continuas."

"Olha aquele atleta a caminhar, vês? Não é vergonha nenhuma, vá. Anda."

É horrível porque é tão sedutor, tão senso-comum, tão fácil. E tudo verdade. E de repente num ataque de ansiedade noto vividamente a minha respiração acelerada, as minhas pernas pesadas, as bolhas que começo a sentir nos dedos dos pés, e essas coisas, perfeitamente aguentáveis até aqui, tornam-se insuportáveis. E a confiança em como vou cruzar aquela meta dentro do tempo que queria - que vou sequer cruzar a meta! - esfuma-se e eu já não sei o que estou a fazer.

"Faltam 8 km ainda, achas mesmo que vais aguentar 8 km neste ritmo? São 45 minutos. Nunca na vida."

"Se não é para acabar nesse tempo mais vale parar - não andamos aqui a colecionar meias-maratonas pelo prazer que isto dá. QUE É NENHUM."

Apetece-me chorar, porque depois viro uma esquina e vejo uma reta interminável à minha frente e nenhuma placa de mais um km ultrapassado à vista (estavam em milhas, ainda por cima, menos e mais escassas pelo caminho. Pelo menos deram-me algo para entreter o cérebro e abafar a voz sedutora: cálculos milhas-km). O tempo demora a passar, a reta não termina, o km - a milha! - não chega e a noção de tempo altera-se. Sinto que estou a correr há uma vida e não sei quando vai acabar. É isso que a mente, inconscientemente, teme: que aquilo agora seja a nossa vida. O esforço hercúleo é ir buscar a razão e dizer: "faltam 7 km, faltam 6 km, tu sabes o que custam 6 km, nada!, são duas vezes 3 km, são três vezes aquelas séries rápidas que fizemos ainda a semana passada e conseguimos, oh. Depois isto acaba, este esforço não é permanente."

Ao pé deste combate mental, o esforço físico durante as duas horas é canja.

Eu sei que isto é um mecanismo biológico completamente normal. É uma questão de vida ou morte. O principal objetivo da mente é preservar a minha sobrevivência e ela sabe que aquele esforço não é sustentável. Está a ser exigido dos meus músculos um trabalho fora do normal, os pulmões são obrigados a puxar mais ar do que o habitual, o coração é obrigado a enviar o sangue com mais rapidez para onde ele está a ser preciso.  Dali a uma ou duas horas acabam-se as reservas de energia e por isso os alarmes da reserva já acenderam lá dentro. É daqui que vêm os pensamentos intrusos.

Mas não é uma questão de vida ou morte. E é a isso que a parte racional tem de se agarrar: "isto não é a nossa vida a partir de agora, daqui a 40 minutos isto acaba."

O meu problema é que não sou muito boa a combater os pensamentos intrusos. A minha força de vontade é fraca nestas situações porque eu não gosto de desconforto físico. Torno-me insuportável, rabugenta. De repente odeio as pessoas que nos estão a ver, odeio o barulho que fazem a puxar por nós, o-d-e-i-o os gritos de incentivo que incluem "you're almost there!" e "you can do this!". Sempre me garantem pelo menos um minuto de resmunguice interior: "I can do it o quê, sei lá se consigo! Não sei se consigo, vou aqui a morrer, sabes lá tu alguma coisa da minha vida, pessoa aleatória a ver-nos passar." Acabo sempre por ceder aos pensamentos intrusos. Nunca tinha não caminhado um bocadinho numa meia-maratona. Nunca tinha não cedido aos pensamentos intrusos.

É por isso que ontem foi tão excecional. Tão sofrido: os pensamentos intrusos não gostam de ser ignorados, voltam uma e outra vez, inesperadamente quando pensávamos que tinham ido finalmente dar uma volta ao bilhar grande. Mas é por isso que estou tão orgulhosa. Mais do que ter conseguido o tempo que almejava mas que só contava conseguir em maio, pela primeira vez cruzei a meta de uma meia-maratona tendo dado absolutamente tudo (já tinha cruzado uma de 10 km com esta sensação, mas aguentar uma hora de esforço é fácil, os pensamentos intrusos não têm tempo para se instalar e o nosso caso racional é mais forte: faltam sempre só 5, 4, 3 km e isso é tão pouco!). Não sei como não desfaleci assim que passei a meta. Lembro-me do gemido-soluço patético que soltei, vindo tão cá de dentro, por ter chegado ao fim. E das pernas cederem assim que parei de correr. Nunca me tinha sido tão nítido que o que me sustinha era força de vontade. Ela ganhou pela primeira vez. E agora já não me param.

***

Uma vez li que a lógica do treino é a de mandar stress (controlado) para cima do nosso corpo. Ele vai-se adaptando porque pensa que aquilo agora é a nossa vida. É por isso que a coisa mais importante para se melhorar é a consistência. A regularidade. Convencê-lo de que a qualquer momento vai ser preciso acelerar: o coração, pulmões e músculos das pernas têm de estar preparados. É maravilhoso pensar nisto, mesmo: sempre que treinamos as fibras minúsculas dos nossos músculos partem-se e durante o descanso o nosso corpo encarrega-se de as recoser, mas mais fortes dessa vez, para da próxima não se partirem. E por isso temos de ir aumentando o stress que lhe lançamos, ou pela distância, ou pela velocidade, ou pelo volume. Sempre devagarinho, para o corpo ter tempo e capacidade de se ir reconstruindo. Mas regularmente, para ele pensar que esta é a nossa nova vida. E é assim que melhoramos.




S.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

É só substituir Negro por Woman e White City Council/Ku Klux Klan por Juiz Neto de Moura/José António Saraiva

Hoje, em dia de Martin Luther King, esta passagem da Letter from a Birmingham Jail, onde ele advoga a estratégia da resistência não-violenta contra o racismo, fez-me lembrar esta onda de gente que acha que o assédio sexual é mau mas só quando envolve violação (e boa sorte em prová-la), que o #metoo está a ir longe demais, que se está a tornar numa caça-aos-bruxos, e que as mulheres deviam era fazer tudo certinho pelos trâmites legais que existem para não perturbar muito os homens no geral e não fazê-los ponderar comportamentos e temer consequências (bem se viu onde isso nos tem levado até aqui):

"... the Negro's great stumbling block in the stride toward freedom is not the White City Council-er or the Ku Klux Klanner, but the white moderate who is more devoted to 'order' than to justice; who prefers a negative peace which is the absence of tension to a positive peace which is the presence of justice; who constantly says 'I agree with you in the goal you seek, but I can't agree with your methods of direct action;' who paternalistically feels he can set the timetable for another man's freedom; who lives by the myth of time and who constantly advises the Negro to wait until a 'more convenient season.' Shallow understanding from people of goodwill is more frustrating than absolute misunderstanding from people of ill will. Lukewarm acceptance is much more bewildering than outright rejection."




S.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Guia para um run-commute bem-sucedido

Isto era uma coisa que queria fazer desde o verão, quando voltei a trabalhar num escritório regularmente, que ainda para mais tinha cacifos: correr nos meus percursos casa-trabalho-casa.* Dois grandes problemas se me afiguraram:

1. Não tenho chuveiro no escritório, logo correr casa-trabalho não era opção. O combo toalhitas-champô seco nunca foi verdadeiramente opção.

2. Mesmo que ignorasse a questão do chuveiro ou passasse só a correr trabalho-casa, o meu trabalho implica usar o computador portátil sempre, sem exceção, algumas vezes com um livro ou outro atrás. A marmita é importante também, mas até poderia ser ignorada se todas as outras condições fossem perfeitas. Ora isto implica uma mochila grande o suficiente para transportar um Macbook Air dos maiorzitos, que embora levezinho e fininho, ocupa espaço considerável em comprimento e largura. Problema acrescido: sou uma pessoa baixa e magra, assim a modos ao que aqui nas roupas se apelida de "petite", de maneiras que a mochila teria que ser grande o suficiente para acomodar o portátil, mas pequena o bastante para não passar da cintura e poder correr confortavelmente com ela. Problema acrescido ao acrescido: aqui a modos que chove bastante, pelo que waterproof seria uma característica imperativa para conservar o portátil durante mais uns bons anos.

Passei dias e dias obcecada a procurar a mochila ideal. Há muitos modelos, de vários materiais, tamanhos (em litros) e para várias bolsas. Não queria gastar 100 libras numa mochila sem saber se esta era uma rotina à qual ia realmente aderir, mas para ter o conforto necessário para considerar aderir à rotina run-commute, a mochila tinha de ter boa qualidade, ao nível do tecido respirável, do design para amortecer os abanos das coisas que lá vão dentro, e do formato da mochila em si para evitar que comecem a aparecer bolhas, raspões ou dores com o atrito dos saltitos que a corrida implica.

O problema maior com que me deparei foi o problema mestre do nosso mundo: homem como padrão. 90% das mochilas no mercado são desenhadas com a fisionomia do homem médio como padrão: acabam portanto a passar a cintura da maioria das mulheres, o que se torna muito desconfortável quando vamos na corrida sempre com a porcaria da mala a bater no rabo, largas demais nas costas, o que implica mau ajuste no que se queria um fit adequado das várias alças à volta dos braços e dos ombros, e finalmente, nenhuma consideração por mamas, pelo que as fitas que prendem as alças uma à outra pelo peito, crucial para impedir a mala de abanar e descair, estão normalmente no sítio errado.


Esta não é má em relação ao que às mamas diz respeito, já que tem uma fita por baixo e outra por cima, mas continua a ser desproporcional nas alças para uma pessoa pequena: iam-me roçar no pescoço. Acabei por me focar nas poucas marcas que têm modelos desenhados para mulheres, o que me limitou francamente as opções (mochilas de run-commute já são um nicho bastante reduzido de mercado, mochilas de run-commute de preço acessível ainda mais; agora imaginem mochilas de run-commute de preço acessível para mulheres!) A Osprey tem umas catitas.

O maior quebra-cabeças no entanto foi tentar decidir o tamanho da mochila, a tal combinação perfeita portátil-costas pequenas, o que sinceramente com tudo em litros não ajudou. Sei lá eu quanto mede uma mochila de 42l ou de 20l! Fui a uma loja de corrida mas não tinham grande oferta de mochilas, pelo que fiquei um bocado na mesma.

Entretanto comecei a trabalhar no meu escritório atual e cheguei à conclusão que havia uma possibilidade de fazer o meu run-commute sem andar com tralha às costas: deixar as minhas coisas lá! Ideia revolucionária, eu sei. Mas o problema sempre foi deixar o portátil pessoal para trás. Mas sendo que tenho pelo menos dois dias fixos e seguidos por semana em que trabalho a partir do escritório, posso fazer com que o trajeto trabalho-casa do 1º seja feito a correr. Passar uma noite sem o portátil não me vai matar.

Foi portanto isso que experimentei ontem: levei para o escritório a roupa de correr e a minha mochila de hidratação sem a bolsa de água, para poder transportar a carteira, chaves e telemóvel na corrida para casa, deixei o portátil fechadinho a sete-chaves no escritório, e a roupa de dia na mochila debaixo da secretária. E pronto, foi esta a simplificada logística com que tive que lidar.


Eu aqui toda feliz após o meu primeiro run-commute.

Isto não me irá funcionar todos os dias porque só tenho os tais dois dias seguidos garantidos no escritório e uma noite é o máximo que fico sem o portátil (não tenho televisão, todo o meu trabalho e lazer e admin geral de vida é feito através do menino), pelo que só posso fazer run-commute uma vez por semana (e quando há reuniões fora do escritório é para esquecer, já não consigo partir dele, já não consigo deixar a tralha lá). Numa situação mais normal de trabalho num sítio fixo das 9 às 5, cinco dias por semana, é possível correr trabalho-casa às segundas, terças, quartas e quintas (de manhã leva-se a roupa de correr para a tarde, num saco, para não acumular 4 ou 5 malas numa semana no escritório) e na sexta à tarde traz-se tudo o que ficou no escritório para casa. Fácil! Quem tem chuveiro no escritório pode ainda optar por correr as idas também, garantindo só que à segunda de manhã leva a tralha toda necessária para o resto da semana, incluindo mudas de roupa para correr e mudas de roupa para o dia-a-dia.

E pronto, é isto. Lamento não ter uma resposta mais definida e baseada na experiência de uso em relação ao problema das mochilas para run-commute, o que torna o título um pouquinho enganador, mas esta é a minha experiência com um run-commute light e parcial, só trabalho-casa levando apenas carteira, chaves e telemóvel (mas já cheguei a usar esta mochila de hidratação para ir buscar e devolver livros a bibliotecas por esta cidade fora e funcionou muito bem! Imagino que a marmita pudesse substituir o livro. Infelizmente só não cabe é o portátil.)

Experiências, sugestões ou dúvidas nisto do run-commute muito benvindas nos comentários!


ADENDA: uma coisa que me agrada francamente nas corridas trabalho-casa é o facto de ser um treino feito em linha reta: vou de um ponto ao outro, sem ter que voltar para trás e isso mentalmente para mim é muito melhor. Odeio treinos/corridas que passam por pedaços do caminho à volta. A maratona de Lisboa, de Cascais ao Parque das Nações, nesse aspeto ganha muitos pontos.


S.



*Não existe expressão para isto em português, uma palavra que traduza commute. Pensava que os movimentos pendulares que se aprende em Geografia era o mais próximo que havia mas não está correto; um movimento pendular implica que o sítio onde se viva e o sítio onde se trabalha sejam em duas cidades e/ou regiões diferentes, o que não é necessariamente o caso com a palavra commute. Um fenómeno tão importante nas vidas diárias de quase toda a gente, à volta do qual se determinam tantos outros - tempo de lazer, orçamento mensal, decisão sobre onde viver, que transporte utilizar - não tem expressão em português. Está certo.   

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Quase ouvi o revirar de olhos

Depois de mais um pânico coletivo em Oxford Street num dia tradicionalmente associado a compras, isto começa a soar um bocadinho à história do Pedro e o Lobo.

As autoridades começam a ficar impacientes connosco. Ontem num anúncio sonoro no metro ouvido numa voz que os britânicos dominam desde sempre - aquela fúria e impaciência transmitida através de um keep calm and carry on entredentes:

'Please. do not. run.'

x'D



S.  

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Consumismo 2.0

Ver a forma como tanta gente, incluindo bloggers portuguesas proeminentes, listam o número de viagens que fizeram ao estrangeiro e equacionam isso com sucesso e um ano 2017 bom, faz-me pensar que viajar não é necessariamente melhor do que adquirir coisas materiais. Parece-me consumismo na mesma, colecionar nomes de sítios em vez de malas caras, pôr certinhos ao lado de listas de sítios a visitar uma extensão da mentalidade consumista, não uma substituição da mesma por algo mais integral e saudável.



S.



(Esta observação pode ser mais fácil de fazer por estar numa fase muito bizarra em que a minha vontade de viajar para conhecer sítios novos é nula, em que a minha mente se rebela ativamente se alguém me propõe uma visita a um país/cidade estrangeiro numa de sightseeing. Não há espaço em mim desde há um par de anos para nada que não seja Reino Unido, e pouco tolerado neste momento se não for Londres. Se escarafunchar a mente encontro as minhas inseguranças todas como causa, mas elas nunca me preocuparam menos porque sei perfeitamente o que quero.)  

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Wholeness

'We’re kind of teaching our kids that happiness is the default position — it’s rubbish. Wholeness is what we ought to be striving for and part of that is sadness, disappointment, frustration, failure; all of those things which make us who we are. Happiness and victory and fulfilment are nice little things that also happen to us, but they don’t teach us much… I’d like just for a year to have a moratorium on the word “happiness” and to replace it with the word “wholeness.” Ask yourself, “is this contributing to my wholeness?” and if you’re having a bad day, it is.'

Lido hoje aqui, do Hugh MacKay.

domingo, 26 de novembro de 2017

Black Friday que não foi

Estive mais tempo do que queria na Debenhams, saltitando entre pisos para levantar a encomenda, experimentar roupa, olhar os saldos, devolver o que não me servia. Tinha uma gata para visitar na área e então planeei a visita à Debenhams de Oxford Street para esse dia também. Mas tinha suspirado de frustração por só me ter apercebido de manhã que hoje era a Black Friday. Cerrei os dentes e que se lixasse, estou habituada a multidões e as de Londres costumam ser ordeiras.

Saí da Debenhams já era de noite - o que não é difícil nesta terra por volta do inverno - mas ainda assim fiquei ligeiramente aborrecida. As últimas semanas tinham sido loucas entre trabalho novo a todo o gás e vários gatos para visitar todos os dias, queria um bom dia de dolce far niente. Mas bom, ainda ia a tempo e este era o primeiro dia que tinha reservado para stress a meio gás.

Ponho o pé fora dos armazéns, ainda a pensar nisto tudo e a planear onde ir apanhar o autocarro, quando vejo uma multidão ao virar da esquina a correr na minha direção. Não me lembro quanto tempo demorei a racionalizar a coisa, acho que pareceu muito e nenhum ao mesmo tempo. Lembro-me deste sentimento:



A partir daí entrei em auto-piloto. O pânico foi real, mas não me toldou completamente a memória. Lembro-me de rodar nos calcanhares e começar a correr na direção em que as outras pessoas estavam a correr, lembro-me de passar pela porta da Debenhams onde tinha acabado de sair e ver mais uma onda de pessoas a correr pela porta fora e escadas abaixo, lembro-me de ver mais pessoas a correr à minha frente, lembro-me de pessoas a gritar, lembro-me de ficar frustrada por ter botas de tacão calçadas e ponderar parar para as descalçar mas decidir imediatamente contra isso, lembro-me de ver uma pessoa a cair estatelada no chão à minha frente, lembro-me do pensamento "isto está a acontecer, AGORA" dominar grande parte da minha mente, lembro-me de guinar para a direita assim que vi um edifício com uma porta giratória e um lobby enorme porque sair da rua me pareceu instintivamente uma melhor opção do que continuar a correr feita alvo ambulante sem rumo.

Mais pessoas tiveram a mesma ideia mas as portas giratórias teimavam em não andar quando as empurrávamos - e eu fui uma das primeiras, estava a sentir a pressão das outras pessoas a quererem empurrar a porta e a mim pelo caminho. A rececionista, sem saber o que se estava a passar, pediu calma já que as portas paravam de girar precisamente quando eram forçadas, e lá conseguimos entrar a conta-gotas para o lobby marmorizado e iluminado. Suspeito que as caras à minha volta eram o espelho da minha, confusão, agitação da adrenalina e respiração ofegante pela corrida inesperada. Ninguém sabia o que se estava a passar e mais pessoas continuavam a forçar a entrada. Alguém grita alguma coisa e corre para dentro, para longe da rua e vamos todos atrás porque de repente as portas vidradas que nos separam da rua deixam de parecer proteção suficiente contra o que quer que fosse que estava atrás de todos nós. E é óbvio que todos soubemos imediatamente o que se estava a passar: um ataque terrorista na popular rua de loja no centro de Londres, na hora de ponta na Black Friday. Corremos todos para dentro dos corredores do edifício, sem saber para onde, numa tentativa em pânico de nos esconder dos atiradores (a esta altura já circulavam meios-rumores de tiros em Oxford Street). A rececionista direcionou-nos para o segundo piso, um piso vazio, sem acesso exterior a não ser com cartão. Aquela ala ampla e vazia, de paredes brancas e chão espelhado, pareceu-me o céu no momento em que entrei. Suspiro de alívio, apesar de a adrenalina continuar a percorrer-me, a razão começando a encontrar espaço para poder começar a funcionar.

A razão não tinha muito por onde pegar. Outro tipo de instinto fez-me a mim e a outras pessoas sacar do telemóvel para procurar notícias sobre o que se estava a passar, mas nem o Twitter nem os media tinham ainda pegado na situação. Lá fora continuávamos a ver pela janela pessoas a correr lá em baixo com alguns gritos de pânico. A alguém ocorreu de repente que devíamo-nos afastar das janelas, que éramos presa fácil ali à espreita, e devíamos apagar as luzes, "APAGUEM AS LUZES!". O pânico vem em ondas e propaga-se como fogo. "Ssssshhhh", gritei eu e mais umas pessoas: estávamos tão seguros quanto possível, e apagar as luzes não só não era possível como poderia parecer mais suspeito do que mantê-las acesas numa rua onde todos os outros edifícios estavam iluminados.

E depois começou a procura de informação, tentando cruzar relatos de uns grupos e de outros. Uma mulher, não esqueço porque mesmo no estado inicial de medo e ignorância completa me irritou com a segurança com que propagou informação alarmista: tinha saído a correr da Debenhams porque viu e ouviu homens armados a disparar contra os compradores, e eram do ISIS, eram do ISIS, eles tinham avisado que iam fazer alguma coisa na Black Friday, e agora cá estavam eles.

As pessoas ligavam a familiares e amigos, alguns que tinham sido separados a dizer onde estavam, o que se estava a passar. Eu continuava uma busca frenética pela Internet para compreender o que se estava a passar. Twitter da Metropolitan Police de Londres foi para onde me virei, a única fonte de informação fidedigna e segura, experiência de ataques passados onde havia sido espectadora ausente e que agora se tornava o guia de ação para uma experiência bastante mais ativa. Finalmente começavam a aparecer movimentações da polícia na rede social. A vaga e frustrante informação típica do início de ataques: a polícia está a responder a um incidente na estação de Oxford Circus, evitem a área.

Começou a espera. Não sabia quanto tempo teríamos de ficar ali; lembro-me de pensar que não tinha comida na mala e preocupar-me. Um trabalhador daqueles escritórios trouxe um jarro de água e copo. As casas de banho eram ali, se alguém precisasse. A rececionista de vez em quando voltava ao nosso piso para nos informar que havia mais pessoas no lobby, que não havia nenhuma informação, mas que estávamos seguros ali. Uma serenidade louvável. Para além de trocar mensagens com o D., nunca me passou pela cabeça informar alguém dos meus do que se estava a passar. O que é que ia dizer? Tenho uma maneira de encarar as adversidades que é a seguinte: engolir. Dentes cerrados e vamos racionalizar: qual é o plano? Não me estou a gabar: quando foi para fugir em pânico, sem nenhuma ameaça visível que não o pânico da multidão, também fugi. E isto nada tem que ver com coragem nem tampouco liderança. Até porque isto é uma estratégia que utilizo porque me serve a mim. Lembro-me de pensar com alívio que ainda bem que estava sozinha e só tinha de pensar em mim. Mas isto para dizer que a última coisa que queria era ligar a alguém que estivesse longe, para dar conta de uma situação que não fazia a mínima ideia de qual era, verbalizando o meu pânico. Entretanto a Met Police tinha informado para quem estivesse nas redondezas se abrigar em edifícios até informação em contrário. Tínhamos tomado a decisão correta, respirei fundo. E sentei-me no chão, preparando-me para esperar.

Notei o saco de compras que trazia e decidi enfiá-lo a custo na mochila, para que fosse mais fácil fugir da próxima vez. Voltei a ponderar descalçar a merda das botas de tacão (não descalcei).

Levantei-me para ir às janelas espreitar o que se estava a passar, na ânsia de sorver informação que teimava em não chegar pelo imediato Twitter. As pessoas já não corriam, pareciam andar normalmente pela rua. Algumas pessoas continuavam dentro do edifício oposto.

A mulher dos rumores voltou à carga, desta vez com a informação sensacional de que o marido estava a ver a BBC e que tinham informado que eram três grupos armados: um na estação de Oxford Circus, um na Debenhams, e outro na rua. Online, a BBC mantinha-se vaga nas informações, respeitando o bom jornalismo e seguindo a linha oficial da polícia, que continuava as investigações e sem divulgar nada. Apeteceu-me mandá-la calar, um Daily Mail ambulante que tira regozijo macabro de espalhar informação sensacionalista e completamente infundada.

Continuava a não haver relatos de nenhuns atiradores, esfaqueadores, camiões ou bombas. Começava a tornar-se exasperante. Mas quanto raio de tempo precisa a polícia para dizer o que se está a passar?!

Cerca de uma hora depois de entrarmos no edifício, a rececionista regressa para dizer que tinha falado com a polícia lá em baixo e estavam a recomendar às pessoas começarem a ir embora dali, não havia perigo. Tive as minhas dúvidas - não tinha havido informação oficial pelo Twitter para desandarmos - mas as pessoas lá fora caminhavam normalmente. E eu tinha as chaves do cat-sitting recente, uma casa ao fundo da rua onde me encontrava neste momento. Alguma coisa era só correr em frente.

Saímos. O som que me atingiu imediatamente foi o tectectectectec dos helicópteros por cima das nossas cabeças, as sirenes da polícia, as luzes azuis intermitentes dos carros de emergência: apesar de tudo, era uma zona ainda em estado de sítio. Caminhei até ao Hyde Park, até Marble Arch onde sabia que passavam autocarros para casa. Não valia a pena esperá-los na Oxford Street, de certeza. Centenas de pessoas na rua, mas isso não é nada de estranho naquela zona a uma sexta-feira à noite. Ainda me sentia meio fora do meu corpo, pela surrealidade do que tinha acabado de viver. A praça de Marble Arch estava cheia de pessoas, pareceu-me que um ponto de encontro de vários escritórios que devem ter políticas de evacuação planeadas para casos destes, com várias pessoas de colete refletor e megafone. De resto, a cidade completamente normal: carros a passar, a parar nos semáforos, autocarros a funcionar normalmente. Olhando em volta, as pessoas pareciam-me em estado normal. (Vi muita gente ainda abrigada em lobbies de escritórios enquanto caminhava até Marble Arch.)

Mas que raio se tinha passado?

Fui esperar o 10 à paragem. E lembro-me de pensar que ainda não estava normal por ter achado ridículo fazer um gesto tão banal como sacar do cartão para passar no autocarro. E havia qualquer coisa de estranho porque parecia-me que as pessoas à minha volta não estavam na mesma dimensão que eu, que havia qualquer coisa que não sentia certo. Lembro-me de recear ficar com algum resquício de ansiedade duradouro porque apesar de não ter estado sob perigo, experienciei tudo como tal e pensei estar a correr pela vida durante alguns fatídicos minutos.

Claro que isto agora me parece ridículo. Só quando cheguei a casa é que começaram a surgir as notícias de que a polícia não tinha encontrado vestígios de tiros ou de bombas ou de altercações ou de... nada. Até me sinto levemente zangada por esta experiência, impaciente pelo pânico que senti. Já reconstituí o que fiz e sei que tomei as decisões certas com a informação que (não) tinha: confiar que uma multidão a virar uma esquina em pânico sabe coisas que eu não, não esperar para confirmar o perigo, sair da rua o mais rápido possível, manter-me sossegada e esperar direções da polícia. O que não me impede de temer que o ridículo desta situação possa ser como a história do Pedro e do lobo da próxima vez...

Óbvio que não fiquei com resquícios de nada. Já voltei a Oxford Street ontem e hoje para continuar a cuidar da gata. Passei duas vezes pelo edifício onde entrei em pânico e vi que, caramba, é muito mais perto da Debenhams do que me tinha parecido na altura. Continuam-me a ser indiferentes as multidões, nas ruas e nas lojas, para além da leve irritação de quando queremos passar e não se mexem.

Mas continua-me ligeiramente preocupante a rapidez com que cheguei à conclusão de que aquilo era um ataque terrorista, toca a fugir. É um lembrete de que, apesar de não pensar nisso no meu dia-a-dia, a plausibilidade de uma situação dessas é forte no meu inconsciente e, a avaliar pelo pânico coletivo, no dos habitantes e turistas que visitam esta cidade.



S. 



sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O fim do mundo não é em Chelsea, é em Westminster

A verdade é que estou aqui, tive que optar entre UK e UE, contacto com ele profissionalmente e mantenho-me a par por motivos também pessoais. Mas na maior parte do tempo é muito fácil esquecer que o Brexit vai acontecer. Voltei a viver na cidade com que estou apaixonada, comecei o meu trabalho de sonho, e por isso o meu estado de alma neste momento, assim no seu geral, é do mais abençoadamente satisfeito que me lembro de sentir.

Mas depois há umas alturas em que o Brexit berra-me aos ouvidos de tal forma que eu não consigo ignorar a evidência de estar a viver um dos períodos mais deprimentes da história recente deste país e a presenciar o governo mais incompetente de que há memória.

Não é apenas a decisão tão desnecessária, ignorante e auto-mutiladora que foi tomada. Nem a absoluta incompetência com que está a ser gerida.

O pior é mesmo esta realização de que a secção Brexiter da sociedade - público e elites media e governo - estão cegos. É uma ânsia enorme de se libertarem da Europa, de serem novamente únicos, orgulhosamente sós, qual cá mais um entre pares. Os detalhes dessa libertação? Não interessam, interessa é a visão brilhante, cor-de-rosa, maravilhosa, de um mundo onde são só eles a decidir o seu futuro, onde têm completa e absoluta soberania, como antes da guerra - quando eram especiais, sabem? Quem se atreve a questionar o processo, a levantar dúvidas pertinentes sobre a viabilidade da posição do governo nas negociações, a sugerir um processo de transição de alguns anos para que a saída não implique cortes abruptos em nenhum setor ou dimensão da sociedade, é rotulado imediatamente de traidor, Remoaner, inimigo do povo, ou, como ontem, mutineer.


Isto foi a capa de ontem do The Daily Telegraph. Não é nenhum tablóide; é um jornal conservador, de direita, sim senhora, mas nenhum Daily Mail. E no entanto a estratégia utilizada é a mesma: bullying.

Neste momento está a ser discutida no parlamento a European Union (Withdrawal) Bill, a lei que tornará toda a legislação europeia que o UK neste momento segue em legislação interna britânica. Isto para que não haja nenhum limbo legal no momento em que o Reino Unido sair formalmente da UE.

Dois problemas de peso:

- o atual governo meteu uma cláusula que antecipa que qualquer parte desta legislação europeia transposta possa a qualquer momento ser alterada por decreto ministerial sem precisar de qualquer aval do parlamento. Portanto, num sistema político onde o parlamento detém a soberania, e depois de tanta choradeira sobre sair da UE para recuperar o controlo das mãos de tecnocratas não eleitos para o povo, o governo britânico passa a ter total liberdade para emendar como quiser coisas chatas e burocráticas tais como máximo de horas laborais semanais, licenças de maternidade, obrigatoriedade de rotulagem de produtos alimentares, medidas de proteção ambientais, e afins. Tudo em nome da "competitividade económica", está bem de ver, tornar o UK um íman de investimento internacional, uma espécie de Singapura da Europa.

- a May teve a brilhante ideia de definir a data - e hora! - em que o Reino Unido passará a não pertencer à União Europeia, e quer essa precisão inscrita na lei, numa de diminuir o poder negocial do UK, provavelmente. Portanto, esqueçam os períodos de transição, esqueçam pensar em gerir um processo dantesco de separação de duas entidades emaranhadas por décadas de milhares de diretivas, regulações, decisões judiciais, padrões, programas e projetos financiados em comum de uma forma racional e o menos disruptiva possível: vamos antes sossegar os Brexiters radicais atando as mãos do governo na mesa de negociação a uma data que ou sim ou sopas. Data essa que é já daqui a ano e meio.

Ora, nem todos os líderes políticos foram consumidos pela histeria Brexit coletiva. Houve uns poucos deputados conservadores que se rebelaram contra estas cláusulas, especialmente a da data de saída, e estão contra essa proposta do seu próprio partido. E é aqui que entra a primeira página do Daily Telegraph. No dia seguinte ao primeiro dia de negociações desta lei, pimba, caras e nomes num dos principais jornais diários britânicos, com o rótulo de amotinados, para que o ultraje dos nacionalistas seja convenientemente espicaçado e direcionado.

Tenho a impressão que já vi esta tática nalgum lado...


Familiar?

Isto foi há cerca de um ano, quando os juízes do Supremo Tribunal decretaram por maioria que era inconstitucional o governo decidir começar a negociar o Brexit sem consultar o parlamento primeiro. Tomem lá a vossa cara na imprensa popular sobre o rótulo de "Inimigos do Povo" que é para verem o que é bom para a tosse.

Bullying. É a palavra que me ocorre e mesmo assim acho-a fraca para este explícito incitar de ódio a elementos de uma democracia que estão a fazer os checks and balances normais num sistema político democrático representativo onde impera a lei.

Para muita gente, o resultado do malfadado referendo, que nem sequer era vinculativo, tem agora um caráter absoluto e permanente, os 51,9% que representam a vontade indiscutível e imutável de um povo, sem margem para qualquer compromisso ou discussão.

Há quem desconfie que há uma vontade neste governo conservador - e sem dúvida numa parte significativa da população - de que a saída seja um crash completo, um final sem se chegar a acordo nenhum, para que haja uma espécie de reset do país. Sei que essa é a vontade de muita gente que viu nisto um voto de protesto pelos anos de políticas de austeridade, desemprego em zonas que dependiam de indústrias que já não existem, pela mudança da cor das pessoas que veem na rua e pelo declínio das condições de vida que tinham. O mundo dos 60s era um lugar mais previsível, mais estável, mais familiar. Querem isso de volta. Quanto a uma parte sinistra de conservadores eurocéticos radicais e neoliberais: que ideia tentadora, essa de não ter que chegar a qualquer compromisso com a outra parte, poder deitar todas as regulações europeias para o lixo e tornar o UK num offshore internacional, um recanto capitalista-em-esteróides europeu sem direitos e proteções ambientais e a consumidores para chatear. Era só inscrever o 29 de março de 2019 na lei e continuar a arrastar os pés nas negociações através de ambiguidade e incompetência.

Estou triste. Não me interpretem mal - estou felicíssima por estar de volta e em paz com a minha vida nesta cidade que amo e onde só me tiram daqui deportada (literalmente). Mas estou triste. Sei que este país é tão melhor do que isto. Mas na mó de cima está agora um cocktail de ignorância, nacionalismo, radicalismo e ingenuidade que só vai trazer infelicidade e dificuldade desnecessárias, e que está a pintar esta coletividade que admiro de tons muito sombrios.



S.

domingo, 22 de outubro de 2017

Ando numa fase de biografias e gostei tanto desta que tenho de partilhar umas citações




'You should do your best to notice luck so that you don't accidentally take credit for it.'

'The stereotype of the Nagging Wife has proved very useful to those of us who are often the primary cause of all the nagging: the Useless Husband. Because these days, women who find their domestic situation deeply unsatisfactory won't just need to complain, they'll need to apologise for the complaining.'

'Masculinity adds up to little more than the pursuit of not being a woman (not walking like this, not talking like that).'


E a minha favorita:


'A young man may call himself feminist, but to do so is hardly a test of character. It isn't even a test of feminism. He'll find out how firmly he believes that women have minds of their own when one of them breaks his heart.' 





S.